Bom, duas das perguntas acima eu tive que responder um pouco apressadamente para que entregássemos, afinal.
1- Nos trabalhos de Lindblom e de Allison pode ser reconhecida a distinção entre política e administração, mesmo que através do conceito de eficiência? Explique.
R: No trabalho de Lindblom, primeiramente, existe um deslocamento da tomada de decisão do nível político para o nível operacional. Desse modo, o administrador procuraria através do Método Incremental tomar decisões conciliando valores. Se a tomada de decisão acontece através do próprio administrador, então a dicotomia entre política e administração fica abalada. Pelo próprio desvio do Modelo Racional e então, pelo menos parcialmente, do próprio conceito de racionalidade, pode-se presumir que também abandone também parcialmente critérios de eficiência. No entanto, seria necessário um estudo maior de sua obra, já que Denhardt não aborda o assunto. Também no trabalho de Allison, ele descreve um Modelo de Ator Racional muito parecido com o de Simon, mas sugere o abandono desse paradigma em favor do reconhecimento da situação e da interação entre os diversos atores individuais e organizacionais envolvidos. Para ambos, a resposta não é definitiva, já que apesar de desviarem do Modelo Racional, ainda pertencem a uma tradição em que a distinção entre política e eficiência estão muito presentes.
2- Se, conforme Denhardt, Herbert Simon, em seu Modelo Racional de Administração, “sugeriu a possibilidade de separar fatos e valores, no estudo do comportamento administrativo” (2008, Cap IV, p. 5), como pôde Dahl criticar exatamente certos valores implícitos e subentendidos, senão escondidos, no Modelo Racional?
R: Simon sugere que fatos e valores podem ser separados mas que a “teoria da administração está interessada em como se deve construir e operar uma organização para que ela realize com eficiência seu trabalho” (apud Denhardt, 2008, Cap. IV, p.5). Pressuposto está que Simon considera a eficiência como neutra, ou seja, como passível de ser empregada independente de a que valor (ou objetivo) sirva. No entanto, Dahl procura mostrar o oposto, que eficiência é um valor e como tal pode concorrer com outros valores, como democracia.
Baseado no livro: Teoria Geral de Administração Pública de Robert B. Denhardt, traduzido por Francisco G. Heidemann, 4a ed., 2008.