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abril 27, 2009

Duas sobre o cap. IV

Bom, duas das perguntas acima eu tive que responder um pouco apressadamente para que entregássemos, afinal.

1- Nos trabalhos de Lindblom e de Allison pode ser reconhecida a distinção entre política e administração, mesmo que através do conceito de eficiência? Explique.

R: No trabalho de Lindblom, primeiramente, existe um deslocamento da tomada de decisão do nível político para o nível operacional. Desse modo, o administrador procuraria através do Método Incremental tomar decisões conciliando valores. Se a tomada de decisão acontece através do próprio administrador, então a dicotomia entre política e administração fica abalada. Pelo próprio desvio do Modelo Racional e então, pelo menos parcialmente, do próprio conceito de racionalidade, pode-se presumir que também abandone também parcialmente critérios de eficiência. No entanto, seria necessário um estudo maior de sua obra, já que Denhardt não aborda o assunto. Também no trabalho de Allison, ele descreve um Modelo de Ator Racional muito parecido com o de Simon, mas sugere o abandono desse paradigma em favor do reconhecimento da situação e da interação entre os diversos atores individuais e organizacionais envolvidos. Para ambos, a resposta não é definitiva, já que apesar de desviarem do Modelo Racional, ainda pertencem a uma tradição em que a distinção entre política e eficiência estão muito presentes.

2- Se, conforme Denhardt, Herbert Simon, em seu Modelo Racional de Administração, “sugeriu a possibilidade de separar fatos e valores, no estudo do comportamento administrativo” (2008, Cap IV, p. 5), como pôde Dahl criticar exatamente certos valores implícitos e subentendidos, senão escondidos, no Modelo Racional?

R: Simon sugere que fatos e valores podem ser separados mas que a “teoria da administração está interessada em como se deve construir e operar uma organização para que ela realize com eficiência seu trabalho” (apud Denhardt, 2008, Cap. IV, p.5). Pressuposto está que Simon considera a eficiência como neutra, ou seja, como passível de ser empregada independente de a que valor (ou objetivo) sirva. No entanto, Dahl procura mostrar o oposto, que eficiência é um valor e como tal pode concorrer com outros valores, como democracia.

Baseado no livro: Teoria Geral de Administração Pública de Robert B. Denhardt, traduzido por Francisco G. Heidemann, 4a ed., 2008.

abril 26, 2009

Mais perguntas sem resposta

Aí vão algumas perguntas feitas sobre o capítulo IV – Modelo Racional de Organização – de Denhardt (2008) que também estão sem resposta. Anime-se e sugira respostas:

1- Na crítica de Robert A. Dahl ao trabalho anterior sobre o campo da Administração Pública, o mesmo autor propõe um modelo alternativo ao campo, no sentido do desenvolvimento de uma ciência, ou apenas lança bases para tanto?

2- Se, conforme Denhardt (2008), Herbert Simon, em seu Modelo Racional de Administração, “sugeriu a possibilidade de separar fatos e valores, no estudo do comportamento administrativo” (Cap. IV, p. 5), como pôde Dahl criticar exatamente certos valores implícitos e subentendidos, senão escondidos, no Modelo Racional?

3- Que implicações há para o uso do conceito de ser humano racional, de Simon, na sociedade moderna e nas organizações, assim como as implicações da pressuposição da eficiência como critério máximo de avaliação de organizações públicas nas sociedades ditas democráticas, já analisada por Denhardt antes do cap. IV de seu livro? E para o ser humano, do ponto de vista filosófico?

4- Relacione a visão de Simon quanto à racionalidade em organizações complexas com o conceito de Marx de alienação.

5- O Modelo Racional de Administração tem relações estreitas com o chamado Behaviorismo da Psicologia? Tem algum relação?

6- Nos trabalhos de Lindblom e de Allison pode ser reconhecida a distinção entre política e administração, mesmo que através do conceito de eficiência? E no de Simon? Explique.

Baseado no livro: Teoria Geral de Administração Pública de Robert B. Denhardt, traduzido por Francisco G. Heidemann, 4a ed., 2008.

abril 12, 2009

Perguntas sem resposta

Como me atrasei em relação ao andamento da disciplina acabei lendo o capítulo III (e o IV, que vai em outro post) a posteriori. Mesmo assim, acho que estou doente (sinais de quem se prepara para enterrar a Graduação e entrar na Pós), e fiz perguntas mesmo assim. Como meu estado não é terminal, elas vão sem a resposta.

Se você curte, deixe um post com sua resposta pra alguma das perguntas ou todas ou sugerindo uma linha de raciocínio ainda que não desenvolvida. Vamos lá:

1- Quais são os três motivos que, na visão de Denhardt, justificam a persistência da influência da dicotomia política-administração mesmo depois que a mesma deixou de ser” uma preocupação para os teóricos?

2- Se a política pudesse ser separada da administração, para fins de estudo da Administração Pública, então seria possível dizer  que, também na Administração Empresarial, a administração pode ser distinguida da busca por lucros? Significaria dizer que a administração pode ser separada das finalidades organizacionais?

3- Thomas Jefferson e Alexander Hamilton expressaram seus pontos de vista sobre o papel dos órgãos administrativos na execução do trabalho do Estado; quando? Quando viveram essas duas personalidades, especialmente em relação aos primeiros teóricos de Administração Pública citados por Denhardt?

4- Percorrendo o texto, parece haver uma tensão entre uma abordagem organizacional que privilegia a eficiência e outra a democracia. Delineie, ao longo do texto, em quais aspectos mais significativos da evolução do pensamento no campo da Administração Pública segundo Denhardt surge essa tensão. É possível resumir a evolução do texto deste capítulo a partir desta tensão? Algum aspecto importante seria ignorado dessa forma?

5- Denhardt generaliza um Movimento como ‘teoria de gestão administrativa‘. Não seria uma redundância falar em ‘gestão administrativa‘? Procure subsídios para argumentar a favor ou contra; tente distinguir ‘gestão‘ e ‘administração‘; procure outras denominações empregadas por Denhardt para Movimentos como o citado.

Baseado no livro: Teoria Geral de Administração Pública de Robert B. Denhardt, traduzido por Francisco G. Heidemann, 4a ed., 2008.

março 12, 2009

Um Denhardt humano a partir de Freud

Arquivado em: Administração de Serviços Públicos — Tags:, — Henrique @ 12:39 am

Pergunta sobre a exposição de Denhardt sobre Freud no capítulo II:

-Denhardt defende que “[c]omo os outros teóricos sociais, eles [, os teóricos de organizações públicas,] devem indagar de que modo seu trabalho se ajusta aos outros esforços culturais e intelectuais de seu tempo e como lida com as questões mais amplas que dizem respeito à condição humana” (2008, cap. II, p.2). Você crê que Denhardt consegue estabelecer esse tipo de relação com as teorias de Freud?

R: Sim, de forma especialmente humanista. Denhardt não apenas consegue resgatar a visão freudiana do ser humano, de modo a relacionar com sua abordagem às organizações públicas como consegue através desse resgate dar sentido ao próprio envolvimento do ser humano com organizações desse tipo. Em meio à exposição, analisa acerca das teorias de Freud: “as organizações complexas jamais devem ser vistas como dissociadas de seu papel no desenvolvimento do indivíduo. A organização não é simplesmente um instrumento ou uma técnica a ser usada por um indivíduo ou um grupo [...] o grupo, a organização é em si –34– essencial para o desenvolvimento da pessoa, como provedora direta de influência e valores, de esperanças e aspirações, sonhos e desejos. A relação do indivíduo com o grupo, com a organização e, enfim, com a própria sociedade, é crítica para o entendimento da condição humana” (2008, cap. II, p. 16).

Baseado no livro: Teoria Geral de Administração Pública de Robert B. Denhardt, traduzido por Francisco G. Heidemann, 4a ed., 2008.

março 7, 2009

Capítulo II Weber

Arquivado em: Administração de Serviços Públicos — Tags:, , , — Henrique @ 2:57 am

Eis as questões sobre a segunda parte do capítulo II do Denhardt. Essas perguntas foram feitas mais mesmo de modo a expôr pequenas considerações deste que vos bloga. Bitte:

1- Pode-se dizer que os três autores analisados por Denhardt (2008) no capítulo II corresponderiam a três níveis diferentes a serem considerados no trato de organizações públicas, a saber, o ambiente político (ao qual se remete Marx), o ambiente institucional (do qual trata Weber) e a personalidade de cada indivíduo (de que se ocupa Freud). Estabeleça uma relação entre essa proposição e a de que “Weber teve claramente o impacto mais direto sobre as teorias de organizações públicas” (2008, cap. II, p. 7).

R: Por um lado, o indivíduo, considerado a partir de sua personalidade, sempre foi mais ou menos deixado de lado na análise desse tipo de organização. Por outro lado, também a política costumou-se distinguir da administração. Nesse sentido é possível afirmar que Weber teve um impacto mais direto sobre as teorias de organização pública pela própria limitação das mesmas, por sua visão estreita do objeto de que se ocuparam.

2- Weber defendia o capitalismo e o tipo de racionalidade representado pelo mesmo? Ou, em outras palavras, Weber acreditava que esse sistema trazia à tona as melhores qualidades de um ser humano?

R: Não. Weber procurou abordar a questão do capitalismo e da racionalidade subjacente ao mesmo de forma objetiva e imparcial, reconhecendo as vantagens institucionais do mesmo e procurando eliminar os seus próprios valores da análise que fazia, também um motivo pelo qual, por sinal, influenciou fortemente as ciências sociais.

No entanto, Weber teria reconhecido os problemas para o indivíduo, conforme afirma Denhardt, e até mesmo contraposto a essa racionalidade instrumental do capitalismo uma racionalidade substantiva, que através de Guerreiro Ramos é um marco nas teorias de organizações públicas.

3- Weber nega, contradiz Marx? As teorias de Weber invalidam as de Marx?

R: Não. A partir de Denhardt (2008) não é possível inferir que Weber tenha se manifestado acerca de Marx, quanto mais em repúdio às suas teorias. Mesmo que as análises de Weber tomem um rumo diferente e a partir de pressupostos diferentes, isso não invalida as formulações de Marx.

Até mesmo, talvez seja possível “aplicar” Marx a Weber. A partir do que expõe Denhardt sobre os dois autores, seria possível mostrar o fortalecimento do capitalismo a partir de crenças calvinistas como uma ideologia se manifestando a favor de uma classe para justificar sua ascensão.

Baseado no livro: Teoria Geral de Administração Pública de Robert B. Denhardt, traduzido por Francisco G. Heidemann, 4a ed., 2008.

Matrix e Marx

Arquivado em: Administração de Serviços Públicos, Cinema filmes — Tags:, , — Henrique @ 2:09 am

Como exercício de sala de aula, em TGAP, pediu-se-nos (linda construção!) que criássemos perguntas e suas respectivas respostas sobre a primeira parte do capítulo II do livro em questão (ver abaixo), sobre Karl Marx. O modo como Denhardt fez sua exposição não me deu outra alternativa senão associá-la ao filme Matrix, do qual sou obviamente fã.

Bom, a pergunta e a resposta, do modo como redigi, não estão muito boas, mas o paralelo entre Matrix e Marx é altamente pertinente. Pense aí e você vai ver, ainda mais se tiver o livro à sua disposição: forças de produção, alienação, objetificação do trabalho, ilusão…

O que o filme “The Matrix” tem a ver com as formulações de Marx? Ele teria gostado do filme?

R: No filme The Matrix, a humanidade evoluiu para um sistema de produção em que é subjugada por máquinas e computadores. A missão do herói Neo é libertar o maior número de indivíduos da ilusão da realidade virtual de um século XX recriado e, com isso, livrá-los da dominação das máquinas. Como metáfora da nossa realidade e, possivelmente, das formulações de Marx, The Matrix mostra um futuro em que as criações do Homem, as máquinas e computadores, não são instrumentos de sua vontade e sim o oposto, são os senhores do seu destino. Essas “instituições” bem podem ser comparadas às da nossa contemporaneidade e do capitalismo burocratizado. O Homem precisa acordar de sua letargia para um mundo em que seu potencial é minado pela vontade dominante de suas próprias instituições. A objetificação do trabalho, tendo como conseqüência a alienação, é mostrada no filme como a incorporação até mesmo do way of life ao sistema produtivo. A partir dessa alienação, para Denhardt, “[as] interações se tornam desprovidas de qualidades humanas e são melhor descritas segundo a linguagem da máquina, a metáfora mais importante dos processos industriais” (2008, cap. II, p. 6). Marx teria ficado orgulhoso do filme.

Baseado no livro: Teoria Geral de Administração Pública de Robert B. Denhardt, traduzido por Francisco G. Heidemann, 4a ed., 2008.

março 6, 2009

Inaugural (Hello world!)

Arquivado em: Uncategorized — Henrique @ 4:04 pm

Welcome to ico WordPress.com. This is my first post (mensagem inaugural).

Esse blog tem origem com a disciplina de TGAP (Teoria Geral de Administração Pública) do curso de Administração Pública (ou será Administração de Serviços Públicos o nome do curso?) da UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina).

Há algum tempo percebo a necessidade de me logar definitivamente, mas não tinha vontade suficiente de correr atrás e, bom, eu escolhi cursar a disciplina acima e um cara de sobrenome Marangoni (só me lembro do sobrenome) explicou como criar um blog em sala de aula. A wordpress parece muito boa de fato.

O objetivo do blog na disciplina é publicar o exercício “Diário do Administrador”, que vamos fazer com base no proposto no livro “Teoria Geral de Administração Pública” de Robert B. Denhardt, traduzido por Francisco G. Heidemann, professor da ESAG-UDESC. Aos interessados, parece que o livro ainda está em vias de ser publicado por uma editora em escalas comerciais.

Além disso, pretendo postar os exercícios que a professora da disciplina, Patrícia Vendramini, pedir em sala e que forem interessantes (at my sole discretion – i’ve damn read de goddamn Terms of Service. Naturaly, only because it was a bit interesting).

Naturalmente, além dos posts da disciplina, vou blogar outras coisas de meu interesse. Os meus interesses vão em outro post, pois estou meio atrasado para uma aula de Fonética e Fonologia do curso de Letras da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Bem-vindos, espero que achem a experiência interessante e eu também.

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